O Ibovespa fechou a semana com queda de 18,12%, a pior desde março de 2020, quando o índice recuou 18,88% no início da pandemia. Foram cinco pregões seguidos de baixa depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25).
Nesta sexta-feira (30), o principal índice da bolsa brasileira caiu 0,75% e terminou aos 167.921 pontos. Na sexta anterior, estava em 205.088 pontos: foram mais de 37 mil pontos perdidos em cinco dias.
Em outubro, o Ibovespa acumulou queda de 9,88%, o pior mês desde junho de 2022. No ano, ainda sobe 4,22%.
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Circuit breaker na segunda-feira

O tombo maior veio no primeiro pregão após o segundo turno. Na segunda-feira (26), o Ibovespa despencou 13,88%, para 176.608 pontos, uma das maiores quedas diárias de sua história. O recorde ainda é de setembro de 1998, na crise da Rússia, quando o índice caiu 15,83%.
A queda passou de 10% logo na abertura e acionou o circuit breaker, que suspende os negócios por 30 minutos. Foi a primeira interrupção desde março de 2020. No pior momento do dia, o índice chegou a 169.516 pontos.
O dólar comercial subiu 8,21% no mesmo dia, para R$ 5,40, e o risco-país saltou 26%, segundo o InfoMoney. Os juros futuros também dispararam.
Por que o Ibovespa caiu

Para analistas ouvidos pela imprensa, parte da queda é a reversão de apostas. Thomas Haugaard, da Janus Henderson, afirmou que o mercado tinha precificado uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), e não o risco de reeleição de Lula. Fábio Murad, da Wiser Asset, disse que investidores que compraram ações à espera de uma virada fiscal estavam desfazendo essas posições.
O outro motivo é a incerteza sobre as contas públicas. Para Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, o principal problema é “a incerteza sobre a condução das contas públicas”, e não só o resultado das urnas. A consultoria Capital Economics avaliou que a vitória de Lula frustra a expectativa de reformas para melhorar as finanças do país.
“O mercado brasileiro segue pressionado pelos reflexos do resultado das eleições”, resumiu Lucas Castro, da Lince Investimentos, nesta sexta.
O exterior também pesou
A semana também foi ruim lá fora. O petróleo Brent chegou perto de US$ 113 o barril, com alta de 15,7% no mês, por causa da guerra no Oriente Médio. Isso renovou o medo de inflação e de juros altos no mundo, e balanços fracos da Amazon e da Intel derrubaram ações de tecnologia.
Segundo Bruna Centeno, da Blue3 Investimentos, a pressão doméstica encontrou um cenário externo desfavorável, o que ampliou a aversão ao risco ao longo da semana.
O que o mercado espera agora para o Ibovespa

Os analistas dizem que o rumo da bolsa depende agora da política fiscal do próximo mandato. “O que o mercado vai cobrar, independentemente de quem assumisse o País, é um plano crível para a questão fiscal”, afirmou Gustavo Bertotti, da Fami Capital. Até lá, segundo ele, o prêmio de risco deve seguir alto.
Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo vai mudar a lei e, se for preciso, a Constituição para perseguir o centro da meta fiscal. Para Bertotti, novembro deve ser de cautela, com preferência por empresas defensivas.
Veja também: TSE detalha os votos registrados após as 17h no segundo turno.
Redação: Arauto do Vale, com informações do InfoMoney, do Estadão Conteúdo (via Diário do Grande ABC), da Forbes Brasil e do Money Times.
Imagem destacada: letreiro da Bovespa, em São Paulo. Foto: Wilfredor, via Wikimedia Commons (CC0).