O chefe de gabinete da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho, de 45 anos, foi preso na quarta-feira (28) durante a Operação NXIVM, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro contra uma rede investigada por explorar sexualmente adolescentes. A informação foi publicada pelo jornalista Andre Shalders, na coluna de Andreza Matais, no Metrópoles.
Segundo o Metrópoles, Carlos trabalhava com a parlamentar desde 2019, recebia R$ 18,2 mil mensais como assessor e tinha entre suas atribuições representar a deputada em reuniões da bancada do PSOL na Câmara. Talíria determinou a exoneração dele após tomar conhecimento da operação.
Operação que prendeu assessor de Talíria Petrone
A Operação NXIVM cumpriu oito mandados de prisão. Além do assessor, foi preso um terceiro-sargento da Polícia Militar. A ação contou com apoio do 4º Departamento de Polícia de Área e da Corregedoria-Geral da PM. O nome da operação faz referência a uma seita sexual que atuou nos Estados Unidos.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo é suspeito de submeter as vítimas a um regime descrito pelos investigadores como “escravidão sexual”, além de gravar os abusos e usar as imagens para ameaçar e chantagear uma adolescente.
As investigações começaram em julho, após a prisão de outro assessor ligado ao PSOL: um funcionário do gabinete do vereador de Niterói Professor Túlio, acusado de violência sexual contra uma adolescente. Foi a partir de material encontrado no celular da vítima que a polícia mapeou a atuação do grupo.
O que diz Talíria Petrone
Em nota publicada nas redes sociais, Talíria afirmou ter sido surpreendida pela operação e informou que exonerou o assessor enquanto aguarda a elucidação dos fatos. A deputada declarou solidariedade à vítima e à família, disse que sua trajetória é marcada pela defesa das mulheres e cobrou que as investigações sejam conduzidas com rigor e independência, respeitado o devido processo legal.
Nas informações divulgadas até agora, não há menção à parlamentar como alvo da investigação.
Posições na Câmara
Em junho de 2026, Talíria Petrone apresentou voto em separado contrário à PEC 32/2015, sobre a redução da maioridade penal. A posição consta de documento da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
A reportagem do Metrópoles não trouxe manifestação da defesa dos presos. O espaço segue aberto. Os investigados têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.
Foto de arquivo: Talíria Petrone em audiência na Câmara, em 28/05/2019. Crédito: Cleia Viana/Câmara dos Deputados. Recorte disponibilizado no Wikimedia Commons, sob licença CC BY 3.0. A imagem não registra a operação policial.