Alessandro Vieira se soma a Tereza Cristina e Derrite contra reeleição de Alcolumbre no Senado

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A reeleição de Alcolumbre à presidência do Senado não terá o voto de Alessandro Vieira (MDB-SE). O senador anunciou sua posição nesta quinta-feira (29), em oposição à recondução de Davi Alcolumbre (União-AP). Em publicação no X, ele afirmou que a reeleição seria a peça central de um acordo para conter investigações que atingem autoridades dos três Poderes.

A manifestação engrossa a resistência aberta nesta semana dentro do próprio campo que apoia Alcolumbre. Na terça-feira (27), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) se descolaram da decisão da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, de apoiar a recondução do atual presidente da Casa.

Alessandro Vieira critica reeleição de Alcolumbre

Na postagem, Vieira disse que, enquanto a atenção de Brasília se dispersa em outros episódios, avança de forma discreta um entendimento para abafar escândalos que envolvem integrantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. “A peça fundamental neste acordo é a reeleição de Davi Alcolumbre, com o compromisso de não instalação de CPIs ou processos de impeachment”, escreveu.

O senador, reeleito por Sergipe neste ano, declarou que Alcolumbre não pode contar com seu voto e que vai se integrar aos esforços para construir uma candidatura alternativa capaz de vencer a disputa. Disse ainda que acompanhará os colegas recém-eleitos que assumiram compromisso com a pauta anticorrupção e com a abertura de apurações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A posição foi repercutida pela revista Veja, que associou a declaração ao escândalo do Banco Master.

Pano de fundo: o caso Master

Não é a primeira vez que Vieira mira Alcolumbre. Em setembro, após o vazamento de mensagens trocadas entre o presidente do Senado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Master, o senador afirmou que as conversas ajudavam a explicar o bloqueio da CPI destinada a investigar o caso. Na ocasião, já havia dito que impedir a reeleição de Alcolumbre seria missão “inegociável” na primeira sessão da próxima legislatura.

Vieira também sustenta que um pedido de CPI para apurar as relações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banco já reúne assinaturas suficientes, mas aguarda despacho da Presidência do Senado há meses, ao lado de pedidos de impeachment de ministros do STF.

Alcolumbre nega irregularidades. Em junho, após reportagem da Veja apontar suposto repasse de US$ 30 milhões de Vorcaro ao senador, ele negou ter recebido dinheiro do ex-banqueiro e, em discurso no plenário, afirmou que não seria intimidado.

Racha no PP

Na terça-feira (27), os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, assinaram nota de apoio à reeleição de Alcolumbre para o comando do Senado e do Congresso. O texto exalta a experiência do senador amapaense e sua capacidade de promover o diálogo e preservar a harmonia entre os Poderes. Segundo o Estadão, o presidente Lula também afirmou que o PT apoiará as reconduções de Alcolumbre e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

No mesmo dia, Derrite publicou vídeo nas redes sociais: “Não votarei em Davi Alcolumbre para ser reconduzido à presidência do Senado”. O senador eleito por São Paulo criticou a postura de Alcolumbre diante dos pedidos de impeachment de ministros do STF e defendeu que a direita se una em torno de um único nome, citando Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina como opções. No início do mês, em entrevista à GloboNews, ele já havia dito não ver chance de vitória para o atual presidente.

Tereza Cristina reagiu em nota. A ex-ministra da Agricultura afirmou que não deixará a disputa e que a eleição será decidida em fevereiro pelo voto “livre, soberano e secreto” de cada um dos 81 senadores. A senadora sul-mato-grossense sinaliza desde o início do ano interesse em presidir a Casa e é apontada como o principal nome da oposição para enfrentar Alcolumbre. Ao comentar a relação com o Judiciário, disse defender a pacificação entre os Poderes, mas criticou o que considera excessos em decisões judiciais.

Reeleição de Alcolumbre: a conta dos votos em 2027

A eleição para a Presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, na abertura da nova legislatura, em votação secreta. Para vencer, o candidato precisa de ao menos 41 dos 81 votos. A federação União-PP terá 12 senadores a partir de 2027, enquanto o PL dobrou sua bancada nas eleições deste ano, o que tende a dificultar a montagem de maioria.

Em fevereiro de 2025, Alcolumbre foi eleito para o atual mandato com 73 votos. Desta vez, além de Tereza Cristina, o líder da oposição, Rogério Marinho, também é citado como possível adversário. Vieira, Derrite e Tereza Cristina ainda não anunciaram um nome único para a disputa.

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