Pecuarista relata ataques de mosca-da-vinhaça e prejuízos em Nova Andradina

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Em vídeos, Naiara Nantes afirma que infestação dificulta até o acesso do gado à água; manejo de resíduos da cana é fator de risco conhecido.

A pecuarista Naiara Nantes tornou públicos relatos de ataques de moscas ao rebanho em Nova Andradina e de dificuldades para manter a rotina da criação. Em dois vídeos no Instagram, ela afirma que os insetos prejudicam os animais e a atividade econômica e pede providências para enfrentar a infestação.

Na publicação de terça-feira (20), a produtora relata que o gado tem dificuldade para beber água. Em outro vídeo, publicado na segunda-feira (26), no horário de Mato Grosso do Sul, ela associa o problema à chamada mosca-da-vinhaça e alerta para consequências sobre a produção e a renda no município.

Os registros são do perfil @naiaranantes. As afirmações sobre os danos à propriedade são relatos da produtora.

O que se sabe sobre a mosca e os resíduos da cana

Conhecida como mosca-dos-estábulos ou mosca-da-vinhaça, a Stomoxys calcitrans se alimenta de sangue e pode atacar bovinos, equinos e pessoas. A Embrapa descreve picadas dolorosas, alterações de comportamento dos animais e prejuízos à produção associados à espécie.

A fase de reprodução está ligada à matéria vegetal em decomposição. Na cadeia sucroenergética, a torta de filtro e a palha de cana umedecida com vinhaça podem oferecer condições favoráveis ao desenvolvimento das larvas. A vinhaça é um subproduto da fabricação de etanol utilizado na adubação dos canaviais.

Pesquisa anterior em Nova Andradina mediu impacto no ganho de peso

Um estudo de pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, apresentado nos anais de um congresso de parasitologia veterinária em 2024, avaliou dois rebanhos de cem bovinos em Nova Andradina. Os animais tiveram desempenho inferior quando permaneceram no piquete próximo de uma área com aplicação de vinhaça.

Naquele experimento, a redução média no ganho diário foi de aproximadamente 200 gramas por animal. Trata-se de um resultado de pesquisa anterior, com condições próprias de avaliação, e não de uma medição das perdas mostradas nos vídeos de outubro de 2026.

Controle depende de identificar os criadouros

Em orientação técnica, a Embrapa destaca que o enfrentamento começa pela localização e eliminação dos ambientes onde as larvas se desenvolvem. Resíduos de alimentação do gado, adubos orgânicos e materiais de atividades agrícolas e industriais estão entre os pontos que precisam ser verificados.

A instituição informa que inseticidas aplicados diretamente nos animais costumam ter efeito limitado e passageiro. O manejo dos resíduos e a atuação nas áreas que originam as moscas são centrais para o controle. A escolha das medidas deve considerar a avaliação técnica de cada propriedade.

Na Assembleia Legislativa, o Projeto de Lei nº 150/2026, de autoria do deputado João Henrique, propõe acrescentar medidas de prevenção e controle da mosca ao manejo da vinhaça. A pauta oficial consultada nesta quarta-feira (28) registra prazo para apresentação de emendas até quinta-feira (29). A proposta ainda não equivale a uma regra aprovada.

Veja os vídeos publicados pela produtora

Crédito dos dois vídeos: Naiara Nantes (@naiaranantes), via Instagram. Conteúdo exibido por incorporação da publicação original.

Relato publicado em 20 de outubro

Assistir ao vídeo original de Naiara Nantes no Instagram.

Alerta publicado em 26 de outubro, no horário de MS

Assistir ao segundo vídeo original de Naiara Nantes no Instagram.

Arauto do Vale

Fontes: Naiara Nantes — vídeo publicado em 26/10/2026, horário de MS; Naiara Nantes — vídeo de 20/10/2026; Embrapa — Surtos da mosca-dos-estábulos no Brasil, 2023; Embrapa — Como controlar uma infestação, 03/02/2023; Anais do XXII Congresso Brasileiro de Parasitologia Veterinária, 2024, página impressa 99; ALEMS — pauta do PL 150/2026, consultada em 28/10/2026.

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