Derrotada na disputa por uma vaga no Senado por São Paulo, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB) deve ganhar espaço no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pode voltar a ser o principal canal de Mato Grosso do Sul em Brasília. A leitura é de análise publicada nesta quarta-feira (28) pelo site Investiga MS.
O resultado em São Paulo
Tebet trocou o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul por São Paulo, a pedido do presidente, abrindo mão de concorrer pelo estado onde fez toda a carreira. No primeiro turno, em 4 de outubro, ficou em terceiro lugar, com 19,23% dos votos (8.342.968), de acordo com o Metrópoles.
As duas cadeiras paulistas ficaram com Guilherme Derrite (PP), que somou 30,59%, e André do Prado (PL), com 29,28%. Marina Silva (Rede) terminou em quarto, com 18,12%.
Trajetória no estado
Nascida em Três Lagoas, Tebet foi prefeita da cidade, vice-governadora e senadora por Mato Grosso do Sul. Segundo o Investiga MS, a relação com parte do eleitorado sul-mato-grossense se desgastou a partir da CPI da Covid, quando ela confrontou o governo de Jair Bolsonaro (PL), e se aprofundou em 2022, quando disputou a Presidência e declarou apoio a Lula no segundo turno.
Depois daquela eleição, ela assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento, cargo que deixou em março para entrar na campanha. Na avaliação do site, à frente da pasta Tebet foi uma aliada relevante do governador Eduardo Riedel (PP) na busca por investimentos federais para o estado.
Ponte com o Planalto
Riedel foi reeleito no primeiro turno e começa o segundo mandato em janeiro. Conforme a análise, o grupo do governador terá três senadores e a maior parte da bancada federal do estado, mas pouca interlocução com o governo Lula. É nesse ponto que Tebet, qualquer que seja o cargo que venha a ocupar, poderia voltar a fazer a ligação entre Campo Grande e Brasília.
Entre as obras que dependem dessa articulação está a Rota Bioceânica, corredor rodoviário que vai ligar Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, passando por Paraguai e Argentina, e que é tratado como estratégico para o escoamento da produção sul-mato-grossense.
Até a publicação desta matéria, nem Tebet nem o Palácio do Planalto haviam anunciado que função ela deve assumir no próximo governo.
Redação: Arauto do Vale, com informações do Investiga MS (análise de Wendell Reis), do Metrópoles e do TSE.
Imagem destacada: Simone Tebet e Lula na posse dela como ministra do Planejamento, em 1º de janeiro de 2023 (imagem de arquivo). Foto: Ricardo Stuckert/PR (Palácio do Planalto), via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0. Imagem recortada.